Thursday, January 10, 2008
De rabo bem comprido
O título acima propôe-se como uma versão prosaica do sobre-usado termo "A cauda longa" que, por sua vez, corresponde à tradução portuguesa do The Long Tail, um livro publicado nos EUA há pouco mais de um ano. E aqui começa a nossa história.
Thursday, September 15, 2005
Entrevista ao UniverCidades
P - Como começou a aventura do 3810?
JS - A aventura do 3810 nasceu do desafio que A RTP (A DOIS) lançou, em 2003, às universidades portuguesas, no âmbito das parcerias com a sociedade civil. A Universidade de Aveiro foi uma das cinco instituições que aceitaram tal desafio e se lançaram na corrida.
Por encomenda da UA, nos primeiros meses de 2004 constitui, em Aveiro, uma equipa profissional de técnicos de televisão e jornalistas, caracterizei um formato de programa, congreguei os meios operacionais… e em Junho, estávamos no ar.
P - De que maneira viu a receptividade da única universidade pública em ter no ar um programa televisivo?
JS - Das universidades que então se lançaram na corrida, algumas desistiram, outras reduziram para metade a duração das suas intervenções, outras continuam no ar, mas com produtos erráticos e inconsequentes. A UA, pelo contrário, formatou um produto que se tem vindo a consolidar em antena.
Talvez a isso não seja alheia a posição que assumimos na “grelha de partida” há ano e meio. Nessa altura, das cinco instituições que arrancaram em antena, quatro eram de Lisboa... a outra era a Universidade de Aveiro. Das cinco, quatro eram privadas... a quinta era pública, a Universidade de Aveiro. Das cinco, todas tinham experiência nas áreas de ensino dos audiovisuais, da produção de TV, e do jornalismo... menos uma, a UA.
Depreende-se assim que a UA apostou neste projecto com seriedade e ousadia, que são a chancela, recorrente, dos projectos dessa universidade.
P - De que forma, na sua perspectiva, o programa contribuiu para uma divulgação do que de melhor se faz na UA?
JS - Comecemos por reconhecer que o que se faz (e se passa) na Universidade de Aveiro, é muito... e bom. Logo, a tarefa está, à partida facilitada para quem faz jornalismo e informação.
Depois, sem nos confundirmos nas competências com as relações públicas e as relações externas, porque a nossa área é a Informação, tratamos os conteúdos científicos e tecnológicos, os eventos, o conhecimento, a cultura, com o enquadramento que a linguagem de televisão requer.
Surpreende-nos, por exemplo, que cada vez mais gente, pelo país fora, que nem sequer conhece fisicamente a Universidade de Aveiro, considere o nosso programa como fazendo parte da oferta informativa especializada que selecciona para ver em televisão.
P - Qual é o balanço de um ano de actividade jornalística dentro e fora da UA?
JS - Não nos cabe a nós fazer esse balanço, mas sim à instituição que nos contratou.
Mas também não podemos ser indiferentes aos comentários encorajadores que recebemos diariamente na nossa caixa de e-mail, por telefone, no campus, e mesmo nos locais de reportagem.
O sentido de profissionalismo modera-nos o optimismo e tempera-o com a ambição de aperfeiçoar os produtos que oferecemos em antena.
P - Estava à espera de um maior feedback por parte da comunidade estudantil em relação ao programa, tanto nas audiências como na própria participação da sua construção?
JS - O retorno é excelente, não poderíamos exigir mais.
A estratégia comunicacional da UA não passa pela obsessão das audiências, mas ainda assim os números que nos chegam da audimetria são muito animadores. Revelam que, de norte a sul do país, atingimos semanalmente cerca de 70.000 pessoas... mesmo à uma da manhã, e no canal 2.
Recorremos frequentemente a uma imagem que tão bem caracteriza o nosso potencial de audiência: - os dois estádios de Aveiro não bastariam para acolher os espectadores que nos vêm todas as terças-feiras.
A “inconveniência” do horário é uma limitação que aceitámos desde início. Faz parte das regras do jogo e lidamos com ela pacificamente. De resto, não seria legítimo ambicionar que um canal de televisão, nacional, generalista e de sinal aberto, oferecesse uma hora semanal do seu prime time a uma universidade.
Valorizamos também os resultados qualitativos da audimetria: o 3810 é visto principalmente no litoral centro e norte. Na região de Aveiro quadruplica os valores de share diário do canal, mesmo àquela hora. Também somos o programa mais visto entre todos os programas das universidades.
Por outro lado conseguimos atingir um ponto em que o programa não se esgota na antena da televisão. Editamos frequentemente em DVD o produto, tal como ele passa na 2:, numa tiragem de mil exemplares.
Esses DVD’s são distribuídos gratuitamente na universidade e externamente a escolas, instituições, órgãos de comunicação, parceiros, personalidades, líderes de opinião, etc., numa acção de divulgação que concertamos com as Relações Externas. Esta promoção cruzada de duas versões do mesmo produto, em que uma valida a outra, representa um reforço considerável da penetração e na credibilidade do programa.
O 3810 é, assumidamente, um produto virado para fora. Isto é, o público-alvo é, primeiro o país, e só depois a comunidade académica. Não faria sentido a UA investir de outra forma numa antena nacional e generalista. Por isso a participação da comunidade académica na “construção” do programa, tem funcionado nos limites adequados e desejáveis – atendendo a que o programa é feito por profissionais de televisão.
Essa participação da comunidade verifica-se a dois níveis: por um lado recorremos ao potencial criativo de alunos, nas áreas onde é possível cruzarem-se as componentes industrial e académica – é um exercício arriscado mas interessante, e já nos levou a resultados surpreendentes. São exemplo disso os trabalhos de grafismo, de criação musical e de edição de imagem.
O outro lado da participação da comunidade traduz-se na sugestão de conteúdos e de temas de reportagem. E esse funciona de uma forma quase intuitiva e espontânea. Chegam-nos diariamente ideias e sugestões de reportagens... sempre além do que é comportável numa hora de televisão.
P - Um ano de existência, e agora?
JS - Dizemos frequentemente que o 3810-UA pode representar o primeiro degrau de uma escalada que nos propomos percorrer, assim isso corresponda aos interesses estratégicos da universidade. A nossa função é a de disponibilizar as ferramentas, e pô-las a funcionar quando solicitado. É isso que fazemos com o 3810, e é isso que estamos a preparar para novos produtos.
E perguntar-se-á então, que novos produtos serão esses?
Sem revelar tudo de uma vez, porque o sigilo é a alma do negócio, podemos anunciar algumas novidades: para além do apuramento formal do 3810, em Setembro/Outubro, dentro da mesma linha editorial, temos “prontos a sair” projectos para outras antenas, noutros media, noutras plataformas de distribuição... para outros públicos, e com outras temáticas – tudo com o cunho da UA. Temos preparado um programa de rádio, semanal, sobre ciência e tecnologia, para uma estação de rádio referência; temos preparados dois programas de divulgação para as plataformas internacionais da RTP – RTP Africa e RTP Internacional.
É importante salientar que quando dizemos “temos preparado”, ou “pronto a sair” queremos dizer que os formatos estão definidos e caracterizados, os conteúdos/interesse identificados e, muito importante, a engenharia financeira dos produtos está arquitectada, de modo a não tornar este projecto um sorvedouro de dinheiro para a UA. Todos estes produtos serão concretizados sem aumento do orçamento de exploração do projecto 3810, e os potenciais patrocínios estarão condicionados à salvaguarda da respectiva independência editorial.
O trabalho está feito, ao sinal verde dos decisores da UA todos poderão ver a luz do dia.
JS - A aventura do 3810 nasceu do desafio que A RTP (A DOIS) lançou, em 2003, às universidades portuguesas, no âmbito das parcerias com a sociedade civil. A Universidade de Aveiro foi uma das cinco instituições que aceitaram tal desafio e se lançaram na corrida.
Por encomenda da UA, nos primeiros meses de 2004 constitui, em Aveiro, uma equipa profissional de técnicos de televisão e jornalistas, caracterizei um formato de programa, congreguei os meios operacionais… e em Junho, estávamos no ar.
P - De que maneira viu a receptividade da única universidade pública em ter no ar um programa televisivo?
JS - Das universidades que então se lançaram na corrida, algumas desistiram, outras reduziram para metade a duração das suas intervenções, outras continuam no ar, mas com produtos erráticos e inconsequentes. A UA, pelo contrário, formatou um produto que se tem vindo a consolidar em antena.
Talvez a isso não seja alheia a posição que assumimos na “grelha de partida” há ano e meio. Nessa altura, das cinco instituições que arrancaram em antena, quatro eram de Lisboa... a outra era a Universidade de Aveiro. Das cinco, quatro eram privadas... a quinta era pública, a Universidade de Aveiro. Das cinco, todas tinham experiência nas áreas de ensino dos audiovisuais, da produção de TV, e do jornalismo... menos uma, a UA.
Depreende-se assim que a UA apostou neste projecto com seriedade e ousadia, que são a chancela, recorrente, dos projectos dessa universidade.
P - De que forma, na sua perspectiva, o programa contribuiu para uma divulgação do que de melhor se faz na UA?
JS - Comecemos por reconhecer que o que se faz (e se passa) na Universidade de Aveiro, é muito... e bom. Logo, a tarefa está, à partida facilitada para quem faz jornalismo e informação.
Depois, sem nos confundirmos nas competências com as relações públicas e as relações externas, porque a nossa área é a Informação, tratamos os conteúdos científicos e tecnológicos, os eventos, o conhecimento, a cultura, com o enquadramento que a linguagem de televisão requer.
Surpreende-nos, por exemplo, que cada vez mais gente, pelo país fora, que nem sequer conhece fisicamente a Universidade de Aveiro, considere o nosso programa como fazendo parte da oferta informativa especializada que selecciona para ver em televisão.
P - Qual é o balanço de um ano de actividade jornalística dentro e fora da UA?
JS - Não nos cabe a nós fazer esse balanço, mas sim à instituição que nos contratou.
Mas também não podemos ser indiferentes aos comentários encorajadores que recebemos diariamente na nossa caixa de e-mail, por telefone, no campus, e mesmo nos locais de reportagem.
O sentido de profissionalismo modera-nos o optimismo e tempera-o com a ambição de aperfeiçoar os produtos que oferecemos em antena.
P - Estava à espera de um maior feedback por parte da comunidade estudantil em relação ao programa, tanto nas audiências como na própria participação da sua construção?
JS - O retorno é excelente, não poderíamos exigir mais.
A estratégia comunicacional da UA não passa pela obsessão das audiências, mas ainda assim os números que nos chegam da audimetria são muito animadores. Revelam que, de norte a sul do país, atingimos semanalmente cerca de 70.000 pessoas... mesmo à uma da manhã, e no canal 2.
Recorremos frequentemente a uma imagem que tão bem caracteriza o nosso potencial de audiência: - os dois estádios de Aveiro não bastariam para acolher os espectadores que nos vêm todas as terças-feiras.
A “inconveniência” do horário é uma limitação que aceitámos desde início. Faz parte das regras do jogo e lidamos com ela pacificamente. De resto, não seria legítimo ambicionar que um canal de televisão, nacional, generalista e de sinal aberto, oferecesse uma hora semanal do seu prime time a uma universidade.
Valorizamos também os resultados qualitativos da audimetria: o 3810 é visto principalmente no litoral centro e norte. Na região de Aveiro quadruplica os valores de share diário do canal, mesmo àquela hora. Também somos o programa mais visto entre todos os programas das universidades.
Por outro lado conseguimos atingir um ponto em que o programa não se esgota na antena da televisão. Editamos frequentemente em DVD o produto, tal como ele passa na 2:, numa tiragem de mil exemplares.
Esses DVD’s são distribuídos gratuitamente na universidade e externamente a escolas, instituições, órgãos de comunicação, parceiros, personalidades, líderes de opinião, etc., numa acção de divulgação que concertamos com as Relações Externas. Esta promoção cruzada de duas versões do mesmo produto, em que uma valida a outra, representa um reforço considerável da penetração e na credibilidade do programa.
O 3810 é, assumidamente, um produto virado para fora. Isto é, o público-alvo é, primeiro o país, e só depois a comunidade académica. Não faria sentido a UA investir de outra forma numa antena nacional e generalista. Por isso a participação da comunidade académica na “construção” do programa, tem funcionado nos limites adequados e desejáveis – atendendo a que o programa é feito por profissionais de televisão.
Essa participação da comunidade verifica-se a dois níveis: por um lado recorremos ao potencial criativo de alunos, nas áreas onde é possível cruzarem-se as componentes industrial e académica – é um exercício arriscado mas interessante, e já nos levou a resultados surpreendentes. São exemplo disso os trabalhos de grafismo, de criação musical e de edição de imagem.
O outro lado da participação da comunidade traduz-se na sugestão de conteúdos e de temas de reportagem. E esse funciona de uma forma quase intuitiva e espontânea. Chegam-nos diariamente ideias e sugestões de reportagens... sempre além do que é comportável numa hora de televisão.
P - Um ano de existência, e agora?
JS - Dizemos frequentemente que o 3810-UA pode representar o primeiro degrau de uma escalada que nos propomos percorrer, assim isso corresponda aos interesses estratégicos da universidade. A nossa função é a de disponibilizar as ferramentas, e pô-las a funcionar quando solicitado. É isso que fazemos com o 3810, e é isso que estamos a preparar para novos produtos.
E perguntar-se-á então, que novos produtos serão esses?
Sem revelar tudo de uma vez, porque o sigilo é a alma do negócio, podemos anunciar algumas novidades: para além do apuramento formal do 3810, em Setembro/Outubro, dentro da mesma linha editorial, temos “prontos a sair” projectos para outras antenas, noutros media, noutras plataformas de distribuição... para outros públicos, e com outras temáticas – tudo com o cunho da UA. Temos preparado um programa de rádio, semanal, sobre ciência e tecnologia, para uma estação de rádio referência; temos preparados dois programas de divulgação para as plataformas internacionais da RTP – RTP Africa e RTP Internacional.
É importante salientar que quando dizemos “temos preparado”, ou “pronto a sair” queremos dizer que os formatos estão definidos e caracterizados, os conteúdos/interesse identificados e, muito importante, a engenharia financeira dos produtos está arquitectada, de modo a não tornar este projecto um sorvedouro de dinheiro para a UA. Todos estes produtos serão concretizados sem aumento do orçamento de exploração do projecto 3810, e os potenciais patrocínios estarão condicionados à salvaguarda da respectiva independência editorial.
O trabalho está feito, ao sinal verde dos decisores da UA todos poderão ver a luz do dia.
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